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Local: Sistema Solar, planeta terra.
Eu comecei a caminhar pelo local, me assustando com o grande número de seres aglomerados no corredor, de repente, uma voz me chamou bem baixinho no quarto:
- Senhor, senhor, venha aqui, eu conheço você, posso te ajudar.
- O senhor me conhece? De onde?
- Ontem eu estava caminhando pelo hospital, ouvi a sua história sendo contada para o policial silva. Essa estratégia é clássica, mas já vou logo avisando, aqui é difícil alguém te falar a verdade... hehehehe.
- O senhor não é daqui? de onde você é? Talvez possa me ajudar.....
- Acalme-se, não importa de onde eu venho, o importante é te informar sobre esse seu casulo, que você já deve imaginar que chamam de "corpo". Ele é muito frágil!
- Eu sei, percebi isso cumprimentando algumas pessoas.
- Não só isso, ele fica mais frágil com o tempo e não dá pra trocar aqui, enfim, eu estou aqui com muita dor, ninguém quer me atender, o médico não passou ainda, alias nem sei se tem médico hoje de manhã,...
Eu ouvia aquilo atentamente, não acreditava que havia conhecido alguém de outro planeta tão cedo, estava animado com o meu mais novo amigo do espaço, acho que ele não era do mesmo lugar do espaço que eu, pelo menos não parecia. Ele reclamava muito, principalmente em relação ao seu casulo, ao qual ser referia sempre como "corpo". Mais uma palavra para o glossário, corpo - Casulo local muito frágil.
Eu fiquei assustado porque ele dizia que seu casulo estava com problemas havia muito tempo, gesticulava muito com seus membros superiores, percebi que ele estava babando, um pouco dessa baba voou em mim, nossa, lembrei-me que isto poderia ser muito perigoso. Ele mostrava um pedaço de papel, com algumas letras que me chamaram a atenção: SUS.
Bom, porque não consultar o glossário não é... A resposta demorou muito tempo pra vir, inclusive, debitou algum valor do que eu tinha coletado com algumas palavras (achei isso estranho) e no fim travou o meu glossário. Bom, havia mais pessoas no quarto, aproveitei pra perguntar se alguém mais conhecia esse tal de SUS. Eu fiquei espantado, todos o conheciam, muitas palavras surgiram, era tamanha a agitação que achei que algum deles iria levantar e me cumprimentar. Esse cara deve ser famoso mesmo.
De repente, o meu amigo começou a tremular na cama, levantou seu membro superior, como se estivesse me chamando, muitos começaram a gritar, eu não sabia o que fazer, o corpo estava imóvel na cama, consultei o meu glossário nebular e cilomeri me deu muitas opções sobre o que eu deveria fazer, era muito complexo definir, pior ainda, segundo cilomeri, segundo as leis do Brasil eu deveria estudar mais de 6 anos para poder diagnosticar com a devida autorização do órgão competente. Enfim, alguém gritou que eu deveria usar um desfibrilador.
- Desbrifilador !?!?!? - exclamei eu mesmo.
- É esse aparelho do seu lado - gritou outro homem.
Ao meu lado havia uma pequena caixa com a inscrição: desfibrilador. Era isso, era isso que eu precisava e algumas indicações como usar: passar em algum gel, esfregar, colocar no peito, esperar carregar e disparar. Ouvi gritos:
- Põe no peito ! Põe no Peito ! Aperta ! - muitos gritos
Bom, é só isso que me lembro, eu deveria ter colocado no peito do meu amigo e não no meu.
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