terça-feira, 20 de setembro de 2011

Terra - Episódio 3

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Local: Sistema Solar, planeta terra.



  Eu comecei a caminhar pelo local, me assustando com o grande número de seres aglomerados no corredor, de repente, uma voz me chamou bem baixinho no quarto:
  - Senhor, senhor, venha aqui, eu conheço você, posso te ajudar.
  - O senhor me conhece? De onde?
  - Ontem eu estava caminhando pelo hospital, ouvi a sua história sendo contada para o policial silva. Essa estratégia é clássica, mas já vou logo avisando, aqui é difícil alguém te falar a verdade... hehehehe.
  - O senhor não é daqui? de onde você é? Talvez possa me ajudar.....
  - Acalme-se, não importa de onde eu venho, o importante é te informar sobre esse seu casulo, que você já deve imaginar que chamam de "corpo". Ele é muito frágil!
  - Eu sei, percebi isso cumprimentando algumas pessoas.
  - Não só isso, ele fica mais frágil com o tempo e não dá pra trocar aqui, enfim, eu estou aqui com muita dor, ninguém quer me atender, o médico não passou ainda, alias nem sei se tem médico hoje de manhã,...
  Eu ouvia aquilo atentamente, não acreditava que havia conhecido alguém de outro planeta tão cedo, estava animado com o meu mais novo amigo do espaço, acho que ele não era do mesmo lugar do espaço que eu, pelo menos não parecia. Ele reclamava muito, principalmente em relação ao seu casulo, ao qual ser referia sempre como "corpo". Mais uma palavra para o glossário, corpo - Casulo local muito frágil. 
    Eu fiquei assustado porque ele dizia que seu casulo estava com problemas havia muito tempo, gesticulava muito com seus membros superiores, percebi que ele estava babando, um pouco dessa baba voou em mim, nossa, lembrei-me que isto poderia ser muito perigoso. Ele mostrava um pedaço de papel, com algumas letras que me chamaram a atenção: SUS.
    Bom, porque não consultar o glossário não é... A resposta demorou muito tempo pra vir, inclusive, debitou algum valor do que eu tinha coletado com algumas palavras (achei isso estranho) e no fim travou o meu glossário. Bom, havia mais pessoas no quarto, aproveitei pra perguntar se alguém mais conhecia esse tal de SUS. Eu fiquei espantado, todos o conheciam, muitas palavras surgiram, era tamanha a agitação que achei que algum deles iria levantar e me cumprimentar. Esse cara deve ser famoso mesmo.
  De repente, o meu amigo começou a tremular na cama, levantou seu membro superior, como se estivesse me chamando, muitos começaram a gritar, eu não sabia o que fazer, o corpo estava imóvel na cama, consultei o meu glossário nebular e cilomeri me deu muitas opções sobre o que eu deveria fazer, era muito complexo definir, pior ainda, segundo cilomeri, segundo as leis do Brasil eu deveria estudar mais de 6 anos para poder diagnosticar com a devida autorização do órgão competente. Enfim, alguém gritou que eu deveria usar um desfibrilador.
  - Desbrifilador !?!?!? - exclamei eu mesmo.
  - É esse aparelho do seu lado - gritou outro homem.
  Ao meu lado havia uma pequena caixa com a inscrição: desfibrilador. Era isso, era isso que eu precisava e algumas indicações como usar: passar em algum gel, esfregar, colocar no peito, esperar carregar e disparar. Ouvi gritos:
  - Põe no peito ! Põe no Peito !  Aperta ! -  muitos gritos
  Bom, é só isso que me lembro, eu deveria ter colocado no peito do meu amigo e não no meu.


segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Terra - Episódio 2

Data de Registro: +565x106(56,15) paralaxons
Local: Sistema Solar, planeta terra.



  Eu acabara de acordar, ainda sentia meu corpo um pouco dolorido, difícil de manipulá-lo e ao meu lado estava uma nova fêmea com uma roupa toda branca e um macho todo de azul, com um face não muito amistosa. A fêmea se aproximou de mim e eu logo gritei:
 - Não quero cumprimentar ninguém ! - respondi com medo de ter de cumprimentar a todos no local.
 - Não se assuste senhor! - disse ela bem devagar - o senhor não pode sair por aí batendo em mulher, você tem de ter mais respeito.
 - Exatamente!! - disse o ser que estava ao lado da fêmea - O senhor deve ter uma boa explicação para ter batido naquela mulher.
  Na hora procurei por cilomeri, não o avistei em nenhum lugar, mas vi a minha bolsa.
 - Deve estar lá! - pensei comigo - mas não achei que seria certo pegá-lo naquele momento, poderia gerar desconfiança. Eu tinha de resolver aquilo sozinho. Eu pensei no que dizer, fiquei olhando pra eles, pensei em ficar calado, contar a história que meu pai contava sobre "o pato", muitos pensamentos, no fim, achei melhor tentar a verdade:
 - O senhor deve ser como eu não é ?!?!? - me referindo ao que no futuro descobrirei que chamam de sexo.
 - Não, senhor! - respondeu ele - eu sou um policial, pode me chamar de Aspirante silva.
 - Aspirante Silva, eu sou como você sim, eu acabei de chegar ao seu planeta, estou aprendendo a me comunicar e vejo que não me dei bem nesse primeiro contato, mas garanto que posso tentar novamente. Além do mais....
  O ser se virou, olhou pra mulher (achei essa palavra melhor), e falou algo que não pude ouvir. Ela balançou a cabeça pegou algo muito estranho, parecia uma arma, sorriu para mim e enfiou em um tubo que ia até meu corpo e apertou. Mais uma vez, fui desligado.
  ...
 Algum tempo depois eu acordei com o barulho do glossário nebular, ele apita depois de muito tempo sem ser atualizado. Eu não sei se foi uma boa contar a história real, mas parecia ter funcionado, pois eu estava sozinho, assim, levantei e corri pra minha bolsa e eis que liguei o glossário.
 - Cilomeri, onde estou !?!??!
 - Antes de mais nada, você perdeu o valor de 10 palavas adicionadas por revelar sua identidade.
 - Mas eu estava tentando me comunicar ! O Aspira silva não me deu chance de fazer uma perguntinha...
 - Até um ser do planeta "dos sem boca" teria se comunicado melhor.
 - Cilomeri, adiciona aí, antes que eu me esqueça, as fêmeas aqui neste planeta podem ser chamadas de mulher e os policiais são pessoas que não te deixam falar, talvez todos sejam silva, agora fica quieto e vamos inspecionar este lugar, que me parece ser muito interessante.